quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Oi, eu sou a mais nova integrante deste blog. Sou mineira, solteira e adoro cozinhar..... resolvi resumir um pouquinho da minha vida para vcs me conhecerem um pouco melhor!

Quem sou eu...

Sonhava em ser cientista, sempre brinquei com os números e me formei em matemática... Mas como nem tudo na vida é lógico e cartesiano, fui trabalhar em RH. Conheci muitas pessoas, aprendi com tantas outras mas eu queria mais aventura na vida e me mudei para São Paulo. Conheci uma amiga geminiana que "come" livros diariamente e agora estou aqui... querendo aprender a ler como vocês!!

Eu sou a Rita, uai!!!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

“...o diabo sabe o que é essa vontade...”

bom, pra começo de conversa, gostaria de dizer que, como já havia me alertado um amigo, dostoievski é uma espécie russa de machado de assis. e como eu sou apaixonada pela maneira machadiana de escrever, acredito que dostoiéviski chegou pra ficar!!!
memórias do subsolo foi o segundo de três livros que li, até hoje, desse autor e foi o que mais gostei, seja pela maneira de escrever, me obrigando a ler em um único fôlego, ou pelo assunto abordado, o ser humano, que nos é apresentado de uma forma tão ... humana.
já tem algum tempo que li essas memórias e, quando vi o resultado da votação aqui no blog, comecei a pensar nesse homem doente que nos fala sobre outros homens também doentes. pra quem ainda não leu, a história começa assim: “sou um homem doente... um homem mau. um homem desagradável. creio que sofro do fígado.” eu acrescentaria: um homem sem o seu lugar no mundo, porque o mundo, o nosso mundo, não é para homens doentes.
dentre todas as coisas que me chamaram atenção nesse livro, eu escolhi pra falar aqui, a questão do homem e de suas vontades e do homem e suas fórmulas. nós vivemos em um mundo de fórmulas e muitas vezes esquecemos o que é ter “vontade independente, custe o que custar essa independência e leve aonde levar. bem, o diabo sabe o que é essa vontade... (p.39).
nós somos obrigados a viver em um mundo sensato, calculado. nossos desejos são movidos pelas vantagens que podem nos trazer. como seria abrir mão dessas vantagens, desejar pura e simplesmente por desejar, até mesmo o que pode ser desvantajoso, e parar de sonhar, de acreditar nesse mundo milimetricamente calculado e entender o homem, se entender enquanto esse homem doente, mau, desagradável?
acredito que nosso personagem atingiu esse estado de consciência e isso lhe custou muito caro. logo ele, que não gostava de trabalhar, que largou tudo e passou a viver de uma herança miserável!!! o preço que ele pagou foi não pertencer a lugar nenhum, ou talvez somente a um subsolo, onde podia gemer suas dores sem ser inoportuno/importunado.
fico me perguntando se ele escolheu ter essa consciência ou se ele não teve escolha. será que nós podemos escolher, decidir, desejar?!! e se pudéssemos, escolheríamos a consciência ou a ignorância? admitiríamos ser doentes, maus, desagradáveis?
ter a consciência de quem é o ser humano e, conseqüentemente a consciência de si mesmo, tornou nosso personagem amargo, triste, ou, usando suas próprias palavras, doente. quantas vezes já encontramos pessoas doentes pelo nosso caminho, pessoas que, assim como ele, não eram percebidas por “olhares saudáveis”?

não sei se estou pronta pra esse mundo sem fórmulas, mundo de desejos, dos meus desejos... não sei se estou pronta pra ter consciência de mim mesma, de minha doença, de minha maldade. mas sei, com toda certeza, que não estou pronta pra viver num mundo onde não existe desejo, vontade, onde tudo ocorre de forma planejada, calculada. não, esse mundo eu não quero. prefiro dividir o subsolo e gemer minhas dores.


p.s.: olha só o lindo selo que o clube ganhou da xeret@ muito obrigada!!!!!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

E o escolhido foi Dostoievsky


Nascido em Moscou em 11 de novembro de 1821, o escritor russo é considerado um dos maiores romancistas da literatura russa e o fundador do existencialismo com Notas do Subterrâneo (nosso livro escolhido).

A obra dostoievskiana explora a autodestruição, ahumilhação e o, além de analisar estados patológicos que levam ao suicídio, à loucura e ao homicídio: seus escritos são chamados por isso de "romances de idéias", pela retratação filosófica e atemporal dessas situações
Concordo com o Jó (nosso autor que nunca posta) que é uma escolha estranha para o verão, mas pelo jeito, teremos muito o que discutir.

Em Memórias do Subsolo ressoa a voz do 'homem do subsolo', o personagem-narrador que, à força de paradoxos, investe ferozmente contra tudo e contra todos- contra a ciência e contra a superstição, contra o progresso e contra o atraso, contra a razão e a desrazão-; mas investe, acima de tudo, contra o solo da própria consciência.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Ah, o amor...

Cheguei à conclusão que, ou somos todos românticos inveterados querendo ver o lado lindo da vida, ou ele é um excelente escritor que nos guiou a isso.

Todos os post, comentários e discussões se basearam no amor, no renascimento do velho, na esperança de encontrar uma outra metade e outras coisas lindas

Por que ninguém (nem eu) comentou à respeito de um homem de 90 anos sair com uma criança? Por que ninguém falou nada sobre o pai da menina a vender para uma cafetina? Por que ninguém falou dos ataques traseiros à empregada ou em como ele foi cruel em abandonar a noiva na beira do altar?

Um amor aos 90 o redime do resto?

O que poderia ser considerado coragem por assumir um amor fora dos padrões em uma idade avançada, pode também ser considerado vestígios de uma covardia que o atingiu durante toda uma vida. Assumir algo assim à beira da morte, quando não se tem mais nada à perder, é como um doente terminal arriscar um tratamento experimental ou pular de para-quedas.

Mas como diria um colega de trabalho: “ o amor é lindo, a vida é bela e a felicidade quase existe”. Posso até prestar atenção em todas essas coisas, mas escolho focar no amor e na busca pela outra metade afinal, apesar da minha rebeldia de hoje, sou brasileira e não desisto nunca.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

e por falar em amor!

“no ano de meus noventa anos quis me dar de presente uma noite de amor louco com uma adolescente virgem.” [memórias de minhas putas tristes]

“falha-se sempre ao se falar de amor” [walter benjamim];
não interessa a idade que alcançamos em vida, sempre nos desajustamos diante do amor... ele foi/é/será sempre um signo inapreensível... uma caminhada labiríntica com um minotauro em nosso encalce [ou seja, tesão & tensão]... no caso de “memórias de minhas putas tristes”, o velho cronista do El Diário de La Paz encontra-se em meio a essa folia.. e, neste sentido, encontra uma outra faceta do amor aos 90 anos [sempre como um novo atalho neste labirinto]... 90 anos & precisaríamos de outros 90 anos para continuar a não apreendermos do amor... afinal o amor traz consigo a semântica do desejo [& só desejamos aquilo que não temos], uma busca desigual como em “a insustentável leveza do ser” [milan kundera], buscamos o amor em alguém que nos encontra o sexo, buscamos o sexo em alguém que nos encontra o amor... o amor é realmente louco ou somos nós que nunca soubemos amar?

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

“Ai de mim, se for amor, como atormenta. ”

Li no Google que o termo "Platônico" vem de Platão e é utilizado justamente porque o filósofo grego acreditava na existência de dois mundos - o das idéias, onde tudo seria perfeito e eterno, e o mundo real, finito e imperfeito.

No mundo de Platão, o amor é idealizado. Um amor à distância, que não se aproxima, não toca, não envolve... Fica ali, só olhando, vigiando, fantasiando. A musa escolhida não sofre de TPM nem de complexo de gordura. E também não tem a cobrança do retorno. Você não deve nada ao ser amado. Tudo é no SEU tempo, do SEU jeito, no SEU gosto.

Mas de que vale essa perfeição se o que sobra no final é a saudade de algo que você nunca teve? Como é possível amar tanto sem ter um abraço, um carinho, o rir junto, o dormir junto?

E aí eu sou apresentada ao nosso jornalista às vésperas de seus 90 anos.

“Quando o aguaceiro passou eu continuava com a sensação de que não estava sozinho na casa. Minha única explicação é que da mesma forma que os fatos reais são esquecidos, também alguns que nunca aconteceram podem estar na lembrança como se tivessem acontecido. Pois se evocava a emergência do aguaceiro não me via a mim mesmo sozinho na casa, mas sempre acompanhado por Delgadina. Eu a havia sentido tão perto durante a noite que sentia o rumor de seu respirar no quarto de dormir, e a pulsação de sua face em meu travesseiro. Só assim entendi que tivéssemos podido fazer tanto em tão pouco tempo. ”
...
“Desde então a tive na memória com tamanha nitidez que fazia dela o que queria. Mudava a cor de seus olhos conforme o meu estado de ânimo: cor de água ao despertar, cor de açúcar queimado quando ria, cor de lume quando a contrariava. E a vestia para a idade e a condição que convinham às minhas mudanças de humor: noviça apaixonada aos vinte anos, puta de salão aos quarenta, rainha da Babilônia aos setenta, santa aos cem. Cantávamos duetos de amor de Puccini, boleros de Agustín Lara, tangos de Carlos Gardel, e comprovávamos uma vez mais que aqueles que não cantam não podem nem imaginar o que é a felicidade de cantar. Hoje sei que não foi uma alucinação, e sim um milagre a mais do primeiro amor da minha vida aos noventa anos. ”

Não parece irônico que o primeiro amor assim tão tardio, se torne também o último?

“Havia achado, sempre, que morrer de amor não era outra coisa além de uma licença poética. Naquela tarde, de regresso para casa outra vez, sem o gato e sem ela, comprovei que não apenas era possível, mas que eu mesmo, velho e sem ninguém, estava morrendo de amor. E também percebi que era válida a verdade contrária: não trocaria por nada neste mundo as delícias do meu desassossego... Passei uma semana inteira sem tirar o macacão de mecânico nem de dia nem de noite, sem tomar banho, sem fazer a barba, sem escovar os dentes, porque o amor me mostrou tarde demais que a gente se arruma para alguém, se veste e se perfuma para alguém, e eu nunca tinha tido para quem”

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

memória de minhas putas tristes

“no ano de meus noventa anos quis me dar de presente uma noite de amor louco com uma adolescente virgem. lembrei de rosa cabarcas, a dona de uma casa clandestina que costumava avisar aos seus bons clientes quando tinha alguma novidade disponível. nunca sucumbi a essa nem a nenhuma de suas muitas tentações obscenas, mas ela não acreditava na pureza de meus princípios. também a moral é uma questão de tempo, dizia com sorriso maligno, você vai ver. [...] é impossível não acabar sendo do jeito que os outros acreditam que você é...”

fiquei pensando nisso. será realmente que nós estamos condenados a ser o que os outros acreditam que nós somos?!!!